Uma exposição no dia 08, lá na Pinacoteca!
Estamos participando com a foto abaixo, e com todo carinho e admiração que temos por esse professor!

“Esta mostra resume mais de trinta anos de contato diário com a fotografia brasileira. A paixão pela imagem nasceu na infância quando me deparei com os álbuns familiares e fiquei fascinado por histórias mirabolantes de personagens presentes naquelas fotografias que enriqueciam minha imaginação. Lá em Rio Claro, no início dos anos sessenta, meu tio Henrique Verona Cristófani, que pertenceu ao Foto Cine Clube Bandeirante e mais tarde tornou-se meu farol intelectual, mostrava suas fotografias e projetava seus curtas-metragens realizados em São Paulo. Isso foi o início de tudo.
O interesse da minha geração pela fotografia explode com Blow Up, emblemático filme de Antonioni, e com a possibilidade de denunciar através das imagens a situação política do nosso país. A opção pela pesquisa surgiu naturalmente, mas o convite de Fabio Magalhães para desenvolver um pequeno espaço para a fotografia na Pinacoteca do Estado, por nós denominado de Gabinete Fotográfico, foi decisivo para meu percurso. Voltar agora à Pinacoteca é revolver minha memória e atribuir valor a um conjunto de imagens que aqui reunido parcialmente configura a relação afetuosa e sincera que mantenho com os fotógrafos – fonte inesgotável de surpresas e criadores de visualidades que desafiam nossa percepção.
Decidimos para esta exposição, após muita pesquisa, observação e análise, pontuar um retrato de Mario de Andrade e uma fotomontagem do poeta Jorge de Lima como o momento em que se manifesta um marco inicial da modernidade na fotografia brasileira. Aliás, o próprio Mario escreve que “a fotomontagem é uma espécie de introdução a arte moderna”. Mas foi só no final da década de 1940 que vemos florescer uma sintaxe mais revolucionária com a produção de Geraldo de Barros,Thomaz Farkas, German Lorca e José Oiticica Filho.
A opção em mostrar a fotografia moderna e contemporânea nos permite valorizar os trabalhos das várias gerações de fotógrafos que tive e tenho o prazer de conviver. Meu trabalho diário é defender, preservar e propagar a fotografia brasileira. Talvez por isso tenha me tornado o que sou: um guardador de fragmentos da nossa história e um fiel defensor da fotografia e dos fotógrafos, meus companheiros de viagem. A eles dedico esta exposição.”
Rubens Fernandes Junior, pesquisador de fotografia
