País Interior – estudo de textos (01)
Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos ou que sabemos mal?
Não sei nem me interessa saber. Você me permite pelo menos isto? Você me permite escolher meus próprios caminhos? É necessário reconhecer a luta que trava a escrita com o limite das palavras. Vejo campos de agonia, velejo mares do não. Na ponta da minha espada trago os restos da paixão que herdei daquelas guerras. Umas de mais, outras de menos, testemunhas silenciosas do sangue que nos sustenta. Convivemos com a morte. Dentro de nós a morte se converte em tempo diário, em derrota do quanto empregamos ao passo que vamos, recuamos. Eu ponho a minha humilde pena à sua disposição. Qual é a sua forma, me responda, qual é a sua forma? A poesia não tem sentido… Palavras… As palavras são inúteis quando a beleza é superada pela realidade. Mar bravio que me envolve neste doce continente. Posso morder a raiz das canas, a folha do fumo, posso beijar os deuses. O milagre da minha pele morena-índia a este esquecimento. Posso doar minha triste voz latina, mais triste que revolta. Vejo que de sangue se desenha o Atlântico sob uma constante ameaça, guerras e guerras no País interior. Não anuncio cantos de paz nem me interessam as flores do estilo. Como por dia mil notícias amargas que definem o mundo em que vivo. Eu , por exemplo, ao longe – diante de mim -, me dou ao vão exercício da poesia. Apenas mostrara a dor como qualidade e intensidade da escrita na qual punha minha própria respiração.
*Terra em Transe/Icônica/Rancière/Barthes/Deleuze.