Sueño Festa
Mais uma Sueño de La Razón
Além do, sempre valioso, texto de Rubens Fernandes Jr., sobre o trabalho de Tiago Santana,
(“Aliás, uma fotografia aparentemente desorientada,
que por uma articulada transmutação, torna visível
a precária condição humana. Uma coleção de instantâneos
carregados de emoção, que denota a sensibilidade
do fotógrafo e, ao mesmo tempo, registra
a memória do povo e dos seus lugares sagrados.”)
destacamos o trabalho de Camila Rodrigo, do Peru.
Aqui do Brasil, temos ainda Dani Dacorso, Breno Rotatori,Gustavo Pellizzon, Andre Cypriano e Marcos Bonisson, e Ludmila Sackharoff Rotatori.
E o apaixonado trabalho de edição de Fredi Casco, Pablo Corral,Nelson Garrido, Roberto Huarcaya, Ataulfo Perez, Daniel Sosa, Andrea Josch e Luis Weinstein.
Workshop – SESC S.J. dos Campos
Nos meses de outubro e novembro, a convite de Daniela Savastano, realizamos um workshop no Sesc de São José dos Campos.
Aqui, um video produzido durante esse período, como resultado do workshop, com fotos, sons e narração dos próprios alunos.
FOAM
FOAM – WHAT’S NEXT? – CIA DE FOTO
O surgimento da Cia de Foto na fotografia brasileira na última década trouxe discussões que ajudaram a refletir sobre tabus até então intocáveis. Os três fotógrafos do coletivo criaram ética e estética próprias, causando polêmicas infindáveis e, em seguida, um séquito de seguidores no Brasil e no exterior. Deixar de assinar trabalhos individualmente e agregar ao fotodocumentarismo referências à publicidade e ao cinema, rompendo com o compromisso do realismo e expandindo a reportagem para os limites da ficção, foram algumas bandeiras do grupo.
Ainda que no campo da reportagem os temas devam ter primazia em relação ao autor, a Cia de Foto encampou a ideia de que a subjetividade, a percepção de quem relata um fato não pode de forma alguma deixar de “transpirar” na superfície da imagem.
Dessa forma eles criaram com muita propriedade uma estética que dialoga com vários autores da história da fotografia, mas também com a pintura, com um profundo e delicado estudo da luz, como forma de criar metáforas visuais que levam o espectador a experienciar de forma mais eficaz não apenas uma devolução mecânica da aparência do real, mas sim o momento do êxtase fotográfico.
Com muita desenvoltura, o coletivo faz o trânsito do mundo privado do entorno familiar para a esfera pública na série “Caixa de Sapato”.
Ao fotografar sem dogmas e censuras, o trabalho ganha uma poética vigorosa sobre o cotidiano familiar e finda por se transformar num código universal.
Em sua narrativa que se efetiva vigorosamente no formato em vídeo, os ciclos da vida e os laços afetivos que se constroem entre as pessoas que habitam ou passam pelas casas dos autores, surgem como uma força vital de rara beleza.
“Caixa de Sapato” tem a capacidade de nos fazer perceber que a beleza mais compulsiva está enclausurada naquilo que insistimos em não perceber no dia a dia. Que a fotografia do futuro nos ensine, em meio a tantas evoluções tecnológicas, a olhar de forma mais intensa o nosso entorno.
Eder Chiodetto

Abertura!

Abertura

Natureza
Como conclusão da pesquisa incentivada pelo 47º Salão de Arte de Pernambuco, optamos por expressar algumas palavras sobre espaço que nos foi cedido. No caso, uma parede no Museu do Estado de Pernambuco.
Natureza é um ensaio que percorre um paradoxo do efeito produzido por um ambiente aparentemente intocado, com alguns de seus elementos fundamentais: água, luz, comida e morada, agora codificados em fotografias.
A nossa interferência nesse espaço é discreta, pautada pelo desejo que atravessa toda experiência com o gênero histórico da paisagem, que é o de devolver essa natureza a um estado natural originário.
Os objetos que aparecem podem se apagar, como se apaga a própria presença de quem construiu essa cena que acreditamos ver com os próprios olhos. As imagens estabelecem, nesse trabalho, um recorte contemplativo, parecido com aquele olhar imposto à nossa história pelos primeiros viajantes que relataram nossa exuberânica à curiosidade de quem nos dominara.
Toda parede é um agente de distância que anuncia um lugar, definindo-lhe como próprio ou controlado. Entre paredes preserva-se o que é íntimo, delineiam-se cômodos que nada deixam passar além de som e imaginação. Mesmo quando projeta fronteiras, uma parede tem um viés anímico. Esta que nos foi cedida por exemplo, é o verso de nossa obra, cúmplice da ideia de devolvermos ao cômodo dessa exposição a ilusão de natureza. E isso se faz no pequeno instante em que a imagem desencontra-se do objeto, e, virtualmente, se transforma em um fragmento de mundo natural.
É esse lapso entre o que é natural e virtual que propomos com as fotografias de Natureza. Uma fotografia serve para fixar experiências que terminam nos fornecendo uma certa adaptação ao mundo. Porém, no ato de fixar experiências, elas também nos fornecem uma suspensão que devolve movimentos manifestados por recordações, projeções e desejos que reprogramam a atualidade.
Assim, vivemos entre um mundo íntimo, onde tudo é devir, e um outro, quase um contraponto, fornecido por nosso intelcto, que nos permite prever, simular e controlar eventos. Esse último reparte-se em cômodos, onde até o tempo se torna uma medida. Logo o tempo que é a principal contradição da inteligência. Como as fotografias, o tempo subverte os limites de nossas paredes.
Uma fotografia tem, entre suas rebeldias, a capacidade de reconfigurar as intenções que lhe fizeram existir. Por exemplo, nunca parar a vida mesmo quando se apresenta estática. Uma imagem comporta, sempre, subentendidos, e são eles o mérito de um processo artístico: o dispositivo de fazer de uma concepção, algo para além de entendimento exato. As imagens servem a isso e, podemos supor, que até a um pouco mais. Esse Salão é uma medida cultural e a arte é um cômodo.
Construimos cômodos para a nossa sobrevivência. A vida, por exemplo, pode ser entendida por uma organização de imagens interligadas que fazem o mundo funcionar em um frequência entre o que é atual e virtual, entre o que é memória e o que é vontade. E a nossa inteligência age nos cercando em paredes. Para vivermos é preciso delimitar o real em função das nossas necessidades, o que nos faz pensar em uma certa aplicação vital da fotografia em nossa existência. Nós criamos quadros para dominarmos o mundo. A Natureza aqui apresentada, por exemplo, é uma estratégia de domíno para um mundo virtualmente natural, anunciado na parede deste Museu.
Photo Bolsillo!
Saiu nosso livro pela La Fábrica!

Foi editado por Alejandro Castellote, e tem uma construção que passa por muitos de nossos ensaios.
Uma parte que gostamos muito, é do texto de Ronaldo Entler, que surgiu de uma entrevista que fizemos na época.

Separados*



Por que fotografío?

Terminou nosso workshop na Fundação Pedro Meyer.

Eram 10 alunos, a maioria da própria Cidade do Máxico, alguns de Puebla, um pernambucano radicado aqui e uma menina de Cuba.

Durante dois dias, vimos, falamos, discutimos e produzimos fotografias. Uma questão levantada por um deles, que foi adotada como tema de nosso ensaio coletivo, foi: Por que fotografo?.

A partir dessa pergunta e com base no que vimos e discutimos, os alunos trouxeram “respostas” ou sugestões em imagens, que ilustram este post.






Coyoacán, Fundação Pedro Meyer

Chegamos no México! E estamos hospedados na Fundação Pedro Meyer, no bairro de Coyoacán.

Hoje começaremos um workshop bem aqui, na base do Zone Zero, onde também fica o acervo de Pedro Meyer.


Uma exposição no dia 08, lá na Pinacoteca!
Estamos participando com a foto abaixo, e com todo carinho e admiração que temos por esse professor!

“Esta mostra resume mais de trinta anos de contato diário com a fotografia brasileira. A paixão pela imagem nasceu na infância quando me deparei com os álbuns familiares e fiquei fascinado por histórias mirabolantes de personagens presentes naquelas fotografias que enriqueciam minha imaginação. Lá em Rio Claro, no início dos anos sessenta, meu tio Henrique Verona Cristófani, que pertenceu ao Foto Cine Clube Bandeirante e mais tarde tornou-se meu farol intelectual, mostrava suas fotografias e projetava seus curtas-metragens realizados em São Paulo. Isso foi o início de tudo.
O interesse da minha geração pela fotografia explode com Blow Up, emblemático filme de Antonioni, e com a possibilidade de denunciar através das imagens a situação política do nosso país. A opção pela pesquisa surgiu naturalmente, mas o convite de Fabio Magalhães para desenvolver um pequeno espaço para a fotografia na Pinacoteca do Estado, por nós denominado de Gabinete Fotográfico, foi decisivo para meu percurso. Voltar agora à Pinacoteca é revolver minha memória e atribuir valor a um conjunto de imagens que aqui reunido parcialmente configura a relação afetuosa e sincera que mantenho com os fotógrafos – fonte inesgotável de surpresas e criadores de visualidades que desafiam nossa percepção.
Decidimos para esta exposição, após muita pesquisa, observação e análise, pontuar um retrato de Mario de Andrade e uma fotomontagem do poeta Jorge de Lima como o momento em que se manifesta um marco inicial da modernidade na fotografia brasileira. Aliás, o próprio Mario escreve que “a fotomontagem é uma espécie de introdução a arte moderna”. Mas foi só no final da década de 1940 que vemos florescer uma sintaxe mais revolucionária com a produção de Geraldo de Barros,Thomaz Farkas, German Lorca e José Oiticica Filho.
A opção em mostrar a fotografia moderna e contemporânea nos permite valorizar os trabalhos das várias gerações de fotógrafos que tive e tenho o prazer de conviver. Meu trabalho diário é defender, preservar e propagar a fotografia brasileira. Talvez por isso tenha me tornado o que sou: um guardador de fragmentos da nossa história e um fiel defensor da fotografia e dos fotógrafos, meus companheiros de viagem. A eles dedico esta exposição.”
Rubens Fernandes Junior, pesquisador de fotografia
